Novas atualizações

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Quem pensa na separação no ápice do namoro? Quem imagina que, aquela pessoa que você escreveu tantas cartas de amor mudaria? Quem acredita que amor ainda sobrevive em tempos de alta tecnologia, quando se pode ter vários amores, sem ter compromisso com ninguém? Os tempos são modernos, é a tal da modernidade líquida, onde tudo é possível, e os valores passados já não existem.

Você, que pensou em ter uma família semelhante a dos seus avós, apenas com algumas atualizações, esqueça! Família não tem importância. Família é uma palavra que poucos sabem o significado, talvez, seja necessário a busca no Aurélio, que lá na década de 80 era conhecido como o pai dos burros. Hoje é o tal do Google, que tem resposta para tudo em um clique, disposto em milhões de páginas.

Amor? Alguém viu ele por aí? Ele é outro que ficou encurralado em alguma curva acentuada, porque faz alguns séculos que acreditamos que ele exista, mas na verdade é apenas uma versão sombria que temos acesso.

O amor não vive nessa geração individualista, movida pelo egoísmo, onde a senha do wi-fi é mais importante que olhar nos olhos, sentir as mãos do outro ou o leve perfume no ar. A conversa agora precisa ser no aplicativo, mesmo estando no mesmo ambiente. Abrir a boca para quê, né?

Casamento agora só resiste se for realmente blindado, por que quem aguenta essas novas atualizações?

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A outra face

A gente nunca procura saber por que o vizinho não aparou a grama. Por que a vizinha anda sempre com coque na cabeça. Por que aquela amiga recusou pela quinta vez o convite da balada ou por que ela parece sempre em outra órbita.

A gente sempre rotula tudo, independente de estarmos longe ou perto, de ter ou não laço sanguíneo. Parece importante ter uma resposta para toda e qualquer situação, sem nem ao menos ter noção de que estamos lidando, de repente, com uma imensa ferida.

Você já parou para pensar em quantas feridas você esteve presente? Em quantas você foi o único culpado ou em quantas você nem imagina que tenha uma parcela de participação?

A gente pensa que sabe de tudo, que tudo está devidamente planejado, mas, às vezes, uma coisa ou outra pode nos acometer, nos jogar para um lado inimaginável e não termos força alguma para levantar.

Não, não é sobre mim, é só você, suas atitudes diárias. Já pensou quantas vezes você apontou o dedo hoje? Quantas durante a semana ou em todo o ano?

Pensa, reflita e perceba o quanto você foi ou está sendo ridículo. Abra seus braços para sua amiga, mostre a ela que você entende e que tudo passará tão rápido quanto o último inverno. Chame a vizinha para conversar, ofereça um bolo, mesmo que seja de caixinha. Aquela sua amiga que teve filho recentemente, ofereça duas ou três horas de sono, é tudo o que ela mais quer… Seja gentil.

Não entre na modernidade líquida, faça ela ser sólida, não copie os mesmos gestos ou trejeitos, seja você, mas seja de um jeito bom, porque de mentalidades ruins já estamos saturados.

 

Quase dois

_MG_2953Olho para trás e vejo o quanto esses dois anos voaram, parece que simplesmente pisquei, porque não faz muito tempo que você estava dentro de mim.

Lembro exatamente dos meses que era apenas você e eu, das nossas conversas, da minha cantoria sem playlist, de como você ouviu Maiara e Maraísa, Elton John e Rod Stewart.

O seu nascimento, nossos primeiros dias, as primeiras conquistas, medos, desafios, ainda sinto a sensação poderosa de amamentar, de ver seus olhinhos fechando em seguida, de como você acordava e ficava olhando para o móbile, só depois de um tempo resmungava, como se dissesse: – mamãe, tô aqui.

As primeiras dores, as duas semanas de cólicas sem fim, as vacinas, os sustos, ahh, os sustos, quase todos levaram um pouquinho de mim. Seus primeiros dentes, passos, palavras ficarão eternamente guardados comigo. Sim, você demorou para andar, mas quando andou era com segurança, sem vontade de atropelar o mundo, mas ganhá-lo aos poucos.

E, é assim que você me ganha diariamente… Quando imagino que estou esgotada, você me chama para dançar, ou quer que eu entre em sua cabana, brincar de carrinho ou comer alguma guloseima. Quem vê você assim magrinho, não sabe o quanto essa criança come bem… Genética boa, temos aqui, rs

Vejo você puxando sua mochila para ir à escola, percebo como sou grata a Deus por ter você comigo, como é esplêndido ser sua mãe, como preciso me conter dia após dia para não sufocá-lo de amor, e sabedoria para educá-lo e conduzi-lo pela vida.

Que o tempo seja generoso conosco, que eu ainda possa aproveitar e apreciar todas suas doçuras e travessuras, que você seja sempre meu amor, uma criança feliz e adorável.

Cinco meses de Pietro

Serei repetitiva se dizer que o tempo passou ainda mais rápido, mas passou. Estamos em contagem regressiva para minha volta ao trabalho. Sim, é de partir o coração.

Pietro iniciou a poucos dias na escolinha, ao lado de casa. É uma fase importante para nós, mas, ao mesmo tempo, não queria que esse momento chegasse tão cedo. É uma facada no coração de uma mãe ser obrigada a deixar seu bebê tão pequeno para retornar ao trabalho. Por que a licença-maternidade é tão curta???

Queira ter mais férias para vencer, mais licenças para cumprir, só mais um tempo para continuar aproveitando cada descoberta, cada evolução, tudo.

Não sei se é possível, mas procuro ficar ao máximo com meu bebê, conversar, ler, cantar e dançar. Deixo ele dormir, mas quando acorda, eu faço a festa. Beijo, abraço, faço mil carinhos, extraio as risadas mais gostosas. Deixo ele bem cansado, mas tenho certeza que adormece contente, sabendo o quanto é amado.

Falando um pouco do seu desenvolvimento, ele já rola com facilidade, gosta de dormir de lado e, muitas vezes, o encontro de bruços. Também já coloca a chupeta na boca sozinho, tenta pegar seus brinquedinhos no berço, e já quer tocar em tudoooooo. Tenta conversar, grita, tosse para chamar a atenção, já come banana, pêra e maçã, também já fiz uma papinha salgada, ele gostou. Foi uma luta para ele mamar na mamadeira, mas achamos o modelo certo, depois de muitos testes.

Essa última semana não está sendo nada fácil, tem um misto de sentimentos dentro de mim, medo de não dar conta do recado, medo de perder algumas fases, medo do novo, medo do tempo, medo do dia a dia, afinal foram quase seis meses inteiros exclusivamente do Pi. Aprendemos tanto, amamentar, a rotina, como interpretar sono, fome, choros, cólicas, vacinas, a adaptação da escolinha, a distância, não, nem de longe foi um período de descanso, foi trabalho intenso, árduo e diário, sem descanso, de segunda a segunda, 24h.

A licença está se esgotando, eu sei. Sei também que vou conseguir passar por mais essa etapa dolorosa, mas necessária. Nós vamos.

 

4 meses de Pietro

Sim, o tempo está voando e, pela primeira vez, gostaria que ele fosse mais meu amigo, que passasse lentamente, para que eu pudesse aproveitar cada vez mais meu bebê. Parece que foi ontem que ele estava dentro de mim, fazendo bagunça no meu útero, hoje está aqui, todo risonho, saudável e lindo.

São quatro meses de um amor, de uma ligação, que já me emociono em pensar que, em poucos dias, ele irá para a escolinha, e eu voltarei ao trabalho. Há alguns meses jamais passou pela minha cabeça que eu sofreria com essa ideia. Eu, em sã consciência, imaginava que seria fácil, simples cortar esse pequeno laço… Pequeno está meu coração cada dia que passa. Hoje, é a primeira vez que choro enquanto meu pequeno dorme no quarto ao lado.

Foram os quatros meses mais vividos da minha vida. Nunca desmereci amor de mãe, mas só quando você se torna uma, você entende essa relação. Pietro resmunga às 3h, eu levanto, sem preguiça, sem pensar. Antes de engravidar eu era a senhora do “só mais cinco  minutos”, aquela que no fim de semana, dormia até as costas doerem, rs. Hoje, tenho uma cicatriz na perna de um dia, logo no primeiro mês de vida do Pi, ele começou a chorar tão alto, do nada, que eu pensei que tivesse caído do berço, dei um pulo da cama, e na pressa, acabei batendo a perna nas paletas do climatizador.

É incrível você perceber como crescem rápido também. Pietro já usa fralda tamanho M, nem todas as roupinhas P servem mais. Ele já desbrava o berço com facilidade, consegue ficar de bruços, se apoia nos braços, faz bolinhas com cuspe, bate pernas, sorri muitoooo…. E eu fico toda admirada, orgulhosa.

Barulho com ele ainda é um dilema. Pietro não é muito de folia, dorme cedo, e acorda, às vezes, na madrugada, mas nem sempre abre os olhos… Nesses dias, eu o coloco na cama para dormir comigo, uma forma de aproveitar ao máximo, já que muito em breve, ele não vai querer ficar tão grudadinho na mamãe.

Eu tinha receio de me tornar mãe, mas hoje aquele medo passou, graças a Deus. É uma dádiva ter um bebê em casa, a vida mudou sim, mas imaginar meu dia, minha vida sem meu Pietro é incabível. Eu já não existo sem ele.